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Singelas reflexões acerca do “ciclo completo” de Polícia PDF Imprimir E-mail
Qui, 05 de Novembro de 2015 19:55

20151105As fronteiras brasileiras somam 23.086 Km, dos quais 15.719 Km são terrestres e 7.367 km marítimas e para proteger esse continente fronteiriço temos aproximadamente 27 postos da PF.  Seria correto dizer “fronteiras permeáveis”? Não, certo é falar que temos fronteiras TOTALMENTE ABERTAS! Aliado a esse cenário, somos vizinhos dos maiores produtores mundiais de cocaína (Peru – 325 toneladas, Bolívia – 265 toneladas, Colômbia – saiu de 700t pata 195t e Venezuela) e um dos maiores produtores mundiais de maconha (Paraguai que exporta 80% de sua produção para o Brasil).

Essa mega indústria (nossa vizinha) aumentou 400 % nos últimos 10 anos. Na América do Sul a área plantada de coca é de aproximadamente 150 mil hectares! Fala-se em lucro líquido entre 360 a 500 bilhões de dólares ao ano. Essa narcoindústria (com alta capacidade de organização, comunicação e atuação) superou a do tráfico de armas, sendo a primeira do mundo.

Sua rentabilidade gira em torno de 3000%, de maneira que 1 kg de coca sai da Colômbia custando 2 mil dólares e chega nos E.U.A pela bagatela de 25 mil dólares; na Europa pela ninharia de 40 mil dólares. A Bolívia lucra em torno de 1,5 a 2 bilhões de dólares ano ou 75% do seu PIB e a Colômbia de 2 a 4 bilhões de dólares ano. O narco-capitalismo tem movimentação financeira espetacular no mundo inteiro! Por trás, toda a estrutura de bancos em países de 1º mundo prontos para branquear esse capital! Essa é apenas uma das facetas do nosso problema: fronteiras totalmente escancaradas para o narco-capitalismo!

Engrossando esse caldo explosivo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada pelo IBGE em 2012 mostrou que o número de jovens NEM-NEM (nem trabalha e nem estuda) no Brasil é de aproximadamente 9,6 milhões (maior que a população de Pernambuco, que é de 8,7 milhões!). E isso levando em conta a faixa etária entre 15 a 29 anos! Aliado a isso, uma absoluta ausência de políticas públicas de inserção de jovens no mercado de trabalho, além da degradação progressiva da família. São milhões de soldados facilmente cooptados pela narco-indústria!

E qual o resultado dessa simbiose do mal? Uma tragédia nacional! Segundo o IHA (índice homicídio adolescência), cerca de 36.735 jovens (12-17 anos) no Brasil não chegarão a completar a adolescência até 2016! Além disso, o Brasil é o campeão internacional em números absolutos de homicídios: 56.337 em 2012 – 129 por 100 mil habitantes. A maioria dos roubos, latrocínios, extorsões, homicídios, lavagem de dinheiro e furtos estão diretamente relacionados com esse caldeirão, a indústria das drogas. Fala-se que em torno de 74 a 80% (desses crimes).

Agora, sejamos honestos e não hipócritas: que polícia do mundo consegue apurar essa enxurrada de crimes? Qual polícia do planeta consegue estancar essa hemorragia progressiva de seu tecido social, evitar o alastramento desse incêndio em sucessivas e progressivas explosões? Numa metáfora, temos a reunião de vento forte, mata seca, ausência de chuva e diversos estopins em diferentes pontos, colaborando para essa imensa chaga! 

Não bastasse tudo o que acima colocamos, pelo contrário, somado a todo o caos supra desenhado, fazem 27 anos que governadores de quase todo o Brasil, que se sucedem no tempo e no espaço, estabeleceram como meta o completo esfacelamento da Polícia Civil. É uma nítida e clara política de sucateamento progressivo desse modelo de Polícia republicana, que não se sujeita ao degradante papel de ordenanças ou guardas pretorianos, muitas vezes em desvios monárquicos de toda ordem.

Paralelo a tudo, cria-se uma “propaganda” que alardeia um índice deturpado de resolução de homicídios no Brasil pela Polícia Judiciária Civil. Trata-se de mais um engodo, outro ardil produzido no submundo da publicidade, uma campanha difamatória, maldosamente inserida por quem sonha com uma polícia brasileira totalmente subordinada a seus caprichos, subserviente, absorvedora cega de mandamentos, com a espinha dorsal curvada em postura de temor reverencial!

Por não se ter essa “polícia obediente”, primeiro vem a recusa no modelo eminentemente civil, e depois o desejo tresloucado de acabar com o cargo de Delegado, desvairadamente jogando na lata do lixo o mandamento constitucional do concurso público, do mérito, da legalidade, da impessoalidade, da eficiência, critério justo, democrático, universal, que privilegia os mais esforçados, o qi da INTELIGÊNCIA e MÉRITO e não o qi da indicação e apadrinhamento do governador ou presidente de plantão!

Pra encerrar, e por falar em atividade de INVESTIGAÇÃO, que parece ser bem fácil para os “críticos” das Polícias Civis e Federal, lembramos que recentemente, em 17.07.2014 um Boeing 777 foi abatido matando 298 pessoas no céu da Ucrânia. O Conselho de Segurança OVV da Holanda concluiu (em 13.10.2015) que o avião foi abatido por um míssil lançado de uma região da Ucrânia dominada por separatistas pró Rússia. Vejam! Uma ÚNICA investigação feita por especialistas de um País de 1º mundo demorou 1 ano, 2 meses e 27 dias! Quem souber fazer mágica QUE FAÇA EM MENOS TEMPO! Pra não perder a oportunidade e como contraponto, a Justiça Federal de 1ª instância de MG demorou quase 12 anos para julgar o caso Unaí...!  

Não existe fórmula mágica, panacéia! Quem disse que o tempo de investigação, de lavratura dos flagrantes, dos TCs que “serão” feitos pela PM ou PRF serão mais rápidos, mais céleres?! A não ser que o CPP a seguir seja o do Estado Islâmico! E mais, um dado do CNJ: 65 % na demora dos processos no Brasil estão justamente relacionados à fase judicial (Unaí está aí pra confirmar!), onde quem atua são os detentores dos mais nobres subsídios, auxílios e orçamentos! Somente 35 % da demora é reputada justamente a quem tem as mais degradantes e injustificáveis condições de trabalho!

 Se os problemas não forem atacados em suas raízes, podem inventar MIL CICLOS, completos, incompletos, complementares, suplementares, tudo não passará de maquiagem para agradar corporações, tornando-as cada vez mais poderosas com prejuízos sociais imensuráveis. O tempo dirá!