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A culpa é do Delegado PDF Imprimir E-mail
Sex, 31 de Julho de 2015 14:41

20150731 1Para ser Delegado de Polícia (Civil ou Federal) basta se formar em Direito, estudar muito e passar num dos diversos concursos públicos abertos Brasil afora, tanto para as Polícias Civis como para a Polícia Federal. Esse é o caminho natural, porém tortuoso e difícil! Todavia, nos últimos anos, muitas pessoas, entre elas algumas pertencentes a diversas outras carreiras públicas, alimentam uma INVEJA tão desesperada e cega sobre a carreira do Delegado que, não conseguindo obter êxito nessas difíceis peneiras constitucionais (os concursos públicos), querem acabar com o cargo secular (são mais de 200 anos!) ou ser Delegado entrando pelas portas dos fundos, através da implementação de ideias estapafúrdias, mirabolantes como é a importação do propalado “ciclo completo” que ao que tudo indica vem para ser o REDENTOR do sistema de segurança pública brasileiro. O mal do sistema é o Delegado e o remédio, a cura para toda a chaga é o ciclo completo!

O mais engraçado é que para alguns dos mais ardorosos defensores desse modelo yanke, que são justamente alguns procuradores e promotores, tal modelo redentor só se aplica às polícias, exclusivamente às polícias (não seria bom para o MP também?!), embora saibamos que a demora excessiva no processo de punição dos criminosos incida justamente muito mais na fase processual (cerca de 65 % da demora – dados do CNJ) do que na fase de inquérito (onde alegam estar o câncer da segurança pública brasileira). Nunca se fala dos 27 anos de total, completo, perene, cabal e absoluto abandono e sucateamento da Polícia Civil brasileira e das diferenças orçamentárias de até 2500% entre o que se destina para a PC e para o aquinhoado MP! Seria muito mais honesto, honroso e menos deprimente que dissessem: nós queremos, desta vez, acabar com o cargo de Delegado (último obstáculo ao intento imperialista!) e implementar o ciclo completo porque desse jeito a Polícia brasileira, como um todo, estará SUBORDINADA a nós, promotores e procuradores, como a Polícia Ministerial!

Seria muito mais honesto, honroso que os outros que defendem esse modelo admitissem: bom, queremos um dia ser Chefes de Polícia, como não conseguimos passar no concurso público, concordamos com o ciclo completo, pois assim teremos alguma chance! Seria muito mais transparente que outros dissessem: bom, não fiz o concurso para a Polícia Civil ou Federal, porque era bastante difícil, mas quero ser Chefe de Polícia, quero um dia poder investigar! Esse é o meu sonho, e por isso preciso mudar as regras duras do jogo, no meio dele!

Mas o fato é que essa sinceridade não vem. O que vemos é um festival de mentiras, desfaçatez, argumentos falaciosos, subterfúgios, evasivas, pretextos escabrosos, simulações grosseiras de defesa da sociedade. Por trás dessas cortinas, nada republicanas, somente interesses corporativos puros, guerra por poder, mais e mais poder, nenhuma preocupação com a sociedade brasileira, com o povo, com os contribuintes. Se o povo brasileiro se deixar enganar e seduzir com mais esse canto de sereia, através de virtuosas campanhas publicitárias (mágicas!), patrocinadas por parcela da grande mídia, e o Congresso Nacional deixar, então que se implante o ovo da serpente! O texto fica como alerta histórico!

 

Del SÁVIO PINTO
Presidente da Adepol AP

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